A mensagem do amor e do cuidado por quem está na rua fazendo por você

A mensagem de amor e de esperança de Ana Virgínia
Reprodução

O Covid-19 não escolhe status nem condição financeira ou social para agir. Ataca até o herdeiro do trono real britânico. Mas talvez, o contraponto deste momento de dor e de medo que o mundo atravessa, seja um aprendizado, o reconhecimento do que algumas classes de trabalhadores têm feito por nós. Um exemplo disso está afixado na residência da escritora Ana Virgínia Santiago, na Sapetinga, flagrado por nossa reportagem.

Na casa de número 123, ela deixou na porta um bilhete direcionado aos garis, que mesmo diante da pandemia, continuam coletando o lixo das ruas e das residências. Do bairro. Da casa dela também.

"Obrigado. Deus abençoe suas vidas. Nosso agradecimento, nós moradores da Casa 23". Na mesma mensagem de carinho e reconhecimento, veio a preocupação também.  "Exijam luvas e máscaras.". E um último recado: "a nossa sacola, com o lixo, já está limpa, com álcool".

Ana Virgínia é uma escritora que emociona e escreve sobre o amor. Hoje, ela traduziu na prática o que relata nos livros. 

Nas linhas expostas na porta, talvez até motivo de surpresa para eles próprios, estava a mensagem de respeito, reconhecimento e, sobretudo, de amor ao próximo.

Isso, aliás, não precisa ser necessariamente o que ela escreveu.

Mas nestes tempos de clausura e solidão forçados, de dúvidas quanto ao futuro da humanidade, a poetisa, se uniu a Antoine de Saint-Exupéry, um dos seus escritores prediletos, para dedicar a homens simples e trabalhadores, invisíveis em "tempos normais", o exemplo mais importante que a humanidade pode, neste momento, oferecer ao seu próximo: amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção.

Simples (e grandioso) assim. Obrigado, Ana.